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title: "Erva-Cidreira (Melissa): Usos e Benefícios | Guia Plantas Medicinais"
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description: "Erva-cidreira e melissa: conheça as diferenças, propriedades calmantes, digestivas e antivirais. Aprenda a preparar e usar com segurança."
date: "2026-03-22"
author: "Equipe Guia Plantas Medicinais"
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# Erva-Cidreira (Melissa): Usos e Benefícios | Guia Plantas Medicinais

Erva-cidreira e melissa: conheça as diferenças, propriedades calmantes, digestivas e antivirais. Aprenda a preparar e usar com segurança.


## Erva-Cidreira ou Melissa? Entendendo a Diferença

No Brasil, um dos maiores pontos de confusão quando se fala em plantas medicinais envolve os nomes erva-cidreira e melissa. Dependendo da região do país, esses nomes podem se referir a plantas completamente diferentes, o que gera dúvidas não apenas entre leigos, mas também entre profissionais de saúde.

A **melissa** (Melissa officinalis L.) é uma planta herbácea da família Lamiaceae, originária da região do Mediterrâneo e da Ásia Ocidental. Possui folhas ovaladas com bordas serrilhadas, aroma cítrico intenso que lembra limão e flores pequenas de coloração branca ou levemente rosada.

Já a **erva-cidreira brasileira** (Lippia alba (Mill.) N.E.Br.) pertence à família Verbenaceae e é nativa da América do Sul. Trata-se de um arbusto com folhas aromáticas, flores pequenas lilases ou brancas e aroma que também remete a limão, o que explica a confusão de nomes.

Apesar do aroma semelhante e de compartilharem algumas propriedades (ambas são calmantes e digestivas), essas são espécies botanicamente distintas, com composição química diferente e particularidades terapêuticas próprias. É fundamental saber qual das duas você está utilizando para garantir o uso seguro e eficaz.

## Composição Química

### Melissa officinalis

A melissa europeia possui um óleo essencial rico em **citral** (composto por neral e geranial), **citronelal** e **geraniol**, que são os responsáveis pelo aroma cítrico característico. Além do óleo essencial, a planta contém ácidos fenólicos importantes, destacando-se o **ácido rosmarínico**, com potente ação antioxidante e anti-inflamatória.

Os flavonoides presentes incluem a luteolina e a apigenina, que contribuem para o efeito calmante. Triterpenos, como os ácidos ursólico e oleanólico, complementam o perfil fitoquímico com propriedades anti-inflamatórias e hepatoprotetoras.

### Lippia alba

A erva-cidreira brasileira apresenta grande variabilidade química conforme a região de cultivo, o que levou à classificação de diferentes quimiotipos. Os principais quimiotipos descritos são o **quimiotipo citral** (rico em neral e geranial), o **quimiotipo linalol** (com predominância de linalol) e o **quimiotipo carvona** (rico em carvona e limoneno).

Independentemente do quimiotipo, a Lippia alba contém flavonoides, taninos, iridoides e saponinas que contribuem para suas atividades biológicas. A variabilidade química é um fator importante a considerar, pois influencia diretamente nas propriedades terapêuticas da planta.

## Benefícios da Melissa (Melissa officinalis)

### Efeito Calmante e Ansiolítico

A melissa é uma das plantas medicinais com mais estudos clínicos comprovando sua ação sobre o sistema nervoso. Um estudo publicado na revista *Nutrients* demonstrou que o extrato de melissa reduziu significativamente os níveis de ansiedade e melhorou o humor e a cognição em voluntários saudáveis submetidos a estresse laboratorial.

O mecanismo de ação envolve a inibição da enzima GABA-transaminase, o que aumenta a disponibilidade do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico) no sistema nervoso central. O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do cérebro, e seu aumento está associado a efeitos relaxantes e ansiolíticos.

### Ação Antiviral

Uma das propriedades mais interessantes e específicas da melissa é sua atividade antiviral, particularmente contra o vírus herpes simples (HSV-1 e HSV-2). Estudos in vitro e clínicos demonstraram que extratos de melissa inibem a replicação do vírus herpes. Um ensaio clínico publicado no *Phytomedicine* mostrou que a aplicação tópica de creme contendo extrato de melissa reduziu o tempo de cicatrização e a intensidade dos sintomas do herpes labial de forma significativa.

O ácido rosmarínico e outros compostos polifenólicos são os principais responsáveis por essa ação antiviral, interferindo na ligação do vírus às células hospedeiras e na sua replicação intracelular.

### Melhora da Função Cognitiva

Pesquisas conduzidas na Universidade de Northumbria, no Reino Unido, revelaram que a melissa pode melhorar a memória e a atenção. Os participantes que receberam extrato de melissa apresentaram melhor desempenho em testes de memória e maior sensação de calma, sem o efeito de sonolência. Esse achado é particularmente relevante para idosos, onde a melissa poderia auxiliar na manutenção da função cognitiva.

### Propriedades Digestivas

A melissa é indicada para distúrbios digestivos funcionais, como dispepsia, flatulência e cólicas intestinais. Seus compostos antiespasmódicos relaxam a musculatura lisa do trato gastrointestinal, aliviando desconfortos. Um estudo multicêntrico avaliou a combinação de melissa com outras plantas para o tratamento da dispepsia funcional, com resultados positivos e significativos na redução dos sintomas.

## Benefícios da Erva-Cidreira Brasileira (Lippia alba)

### Ação Sedativa e Calmante

Estudos farmacológicos realizados por pesquisadores brasileiros demonstraram que extratos de Lippia alba possuem ação sedativa dose-dependente em modelos experimentais. A planta reduz a atividade locomotora e prolonga o tempo de sono induzido por barbitúricos, confirmando o uso popular como calmante e auxiliar do sono.

A Lippia alba está incluída na RENISUS e é amplamente utilizada em programas de fitoterapia de diversos municípios brasileiros, atendidos pelo SUS.

### Efeito Analgésico e Anti-inflamatório

Pesquisas publicadas no *Journal of Ethnopharmacology* demonstraram que extratos de Lippia alba possuem atividade analgésica significativa, comparável em alguns modelos a analgésicos convencionais. A ação anti-inflamatória também foi comprovada, com redução do edema e da migração de células inflamatórias em modelos experimentais.

### Atividade Antimicrobiana

O óleo essencial de Lippia alba demonstrou atividade antimicrobiana contra diversas espécies de bactérias e fungos patogênicos, incluindo Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida albicans. Essa propriedade justifica o uso tradicional da planta em gargarejos para dor de garganta e em lavagens para ferimentos superficiais.

## Como Preparar e Utilizar

### Infusão de Melissa (Melissa officinalis)

Utilize 2 a 4 gramas de folhas secas (ou 4 a 8 folhas frescas) para cada 150 ml de água quente. Despeje a água recém-fervida sobre as folhas, tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos. Coe e consuma. A recomendação é de duas a três xícaras ao dia. Para auxiliar o sono, tome uma xícara 30 minutos antes de deitar.

### Infusão de Erva-Cidreira Brasileira (Lippia alba)

Utilize 2 a 3 gramas de folhas secas (ou um punhado de folhas frescas) para cada xícara de água. O preparo segue o mesmo método da melissa. O sabor é suave e agradável, com notas cítricas pronunciadas.

### Tintura de Melissa

A tintura (extrato hidroalcoólico) de melissa pode ser encontrada em farmácias de manipulação. A dose usual é de 2 a 6 ml por dia, diluída em água, dividida em duas a três tomadas. A tintura é uma forma mais concentrada e pode ser útil quando o chá não é prático.

### Uso Tópico da Melissa

Para herpes labial, cremes ou pomadas contendo extrato de melissa padronizado a 1% devem ser aplicados sobre a lesão de três a quatro vezes ao dia, iniciando aos primeiros sinais de formigamento, antes do aparecimento das vesículas. Esse uso tópico é respaldado por estudos clínicos e é uma alternativa complementar ao tratamento convencional.

## Contraindicações

A melissa e a erva-cidreira brasileira são consideradas plantas de boa segurança quando utilizadas nas doses recomendadas. No entanto, algumas precauções são necessárias.

Pessoas com **hipotireoidismo** devem evitar o uso frequente de melissa, pois estudos indicam que a planta pode interferir na função da tireoide, inibindo a ligação do TSH (hormônio estimulante da tireoide) aos receptores tireoidianos. Pacientes em uso de **medicamentos para tireoide** (como levotiroxina) devem consultar o médico antes de usar melissa regularmente.

O uso concomitante com **sedativos, ansiolíticos e barbitúricos** requer cautela devido ao potencial de potencialização do efeito sedativo. Da mesma forma, a associação com **medicamentos para glaucoma** pode requerer ajustes, uma vez que a melissa pode influenciar a pressão intraocular.

**Gestantes e lactantes** devem utilizar com moderação e preferencialmente sob orientação de um profissional de saúde. Embora não haja relatos de efeitos adversos graves, os estudos de segurança em gestantes são limitados.

Pessoas com **dermatite de contato** prévia a plantas da família Lamiaceae devem realizar teste de sensibilidade antes do uso tópico de melissa.

## Referências

- ANVISA. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Brasília, 2021.
- BRASIL. Ministério da Saúde. RENISUS - Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS. Brasília, 2009.
- CASES, J. et al. Pilot trial of Melissa officinalis L. leaf extract in the treatment of volunteers suffering from mild-to-moderate anxiety disorders. *Mediterranean Journal of Nutrition and Metabolism*, v. 4, n. 3, p. 211-218, 2011.
- HENNEBELLE, T. et al. Ethnopharmacology of Lippia alba. *Journal of Ethnopharmacology*, v. 116, n. 2, p. 211-222, 2008.
- KENNEDY, D. O. et al. Attenuation of laboratory-induced stress in humans after acute administration of Melissa officinalis (lemon balm). *Psychosomatic Medicine*, v. 66, n. 4, p. 607-613, 2004.
- KOYTCHEV, R.; ALKEN, R. G.; DUNDAROV, S. Balm mint extract (Lo-701) for topical treatment of recurring herpes labialis. *Phytomedicine*, v. 6, n. 4, p. 225-230, 1999.
- PASCUAL, M. E. et al. Lippia: traditional uses, chemistry and pharmacology: a review. *Journal of Ethnopharmacology*, v. 76, n. 3, p. 201-214, 2001.
