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description: "Saiba como a fitoterapia funciona no SUS, quais plantas estão disponíveis, o que é o RENISUS e como acessar o programa Farmácias Vivas."
date: "2026-03-22"
author: "Equipe Guia Plantas Medicinais"
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# Fitoterapia no SUS: Como o Brasil Usa Plantas Medicinais | Guia Plantas Medicinais

Saiba como a fitoterapia funciona no SUS, quais plantas estão disponíveis, o que é o RENISUS e como acessar o programa Farmácias Vivas.


O Brasil é um dos poucos países do mundo que oferece tratamento com plantas medicinais dentro do seu sistema público de saúde. Por meio de políticas como a PNPIC e programas como o Farmácias Vivas, milhões de brasileiros têm acesso a fitoterápicos gratuitos nas unidades básicas de saúde. Neste artigo, vamos entender como essa integração acontece, quais plantas estão disponíveis e como você pode se beneficiar desse direito.

## A História da Fitoterapia no SUS

O uso de plantas medicinais na saúde pública brasileira tem raízes profundas. O Brasil é detentor da maior biodiversidade do planeta, e o conhecimento sobre plantas medicinais faz parte da herança cultural de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

### Os Marcos Legais

O caminho para a institucionalização da fitoterapia no SUS passou por marcos importantes:

- **1986**: A 8.ª Conferência Nacional de Saúde já recomendava a introdução de práticas tradicionais no sistema de saúde.
- **2006**: Publicação da **Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)** pela Portaria n.º 971, que incluiu oficialmente a fitoterapia entre as práticas oferecidas pelo SUS.
- **2006**: Publicação da **Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos** pelo Decreto n.º 5.813, estabelecendo diretrizes para toda a cadeia produtiva.
- **2009**: Divulgação da **RENISUS** (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS), com 71 espécies vegetais prioritárias.
- **2010**: Criação do **Programa Farmácias Vivas**, pela Portaria n.º 886, regulamentando o cultivo, manipulação e dispensação de fitoterápicos no SUS.

### O Papel da PNPIC

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi um divisor de águas. Além da fitoterapia, a PNPIC abrange acupuntura, homeopatia, termalismo e medicina antroposófica, entre outras práticas. No caso específico da fitoterapia, a política reconhece tanto o uso de plantas medicinais in natura quanto de medicamentos fitoterápicos industrializados.

A PNPIC tem como princípios a integralidade do cuidado, a valorização do saber popular e a promoção do uso racional de plantas medicinais. Sua implementação é responsabilidade dos municípios, estados e da União, de forma compartilhada.

## O Que É o RENISUS?

O RENISUS é a **Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS**, publicada pelo Ministério da Saúde em 2009. Trata-se de uma lista com **71 espécies vegetais** que apresentam potencial para gerar produtos de interesse ao sistema público de saúde.

### Critérios de Seleção

As plantas do RENISUS foram selecionadas com base em critérios como:

- Uso tradicional consolidado na cultura brasileira
- Evidências científicas de eficácia e segurança
- Possibilidade de cultivo e produção no território nacional
- Potencial para atender demandas do SUS em atenção primária

### Plantas Mais Conhecidas do RENISUS

Entre as 71 espécies, algumas das mais utilizadas na prática clínica são:

- **Cynara scolymus** (alcachofra) — para distúrbios digestivos e colesterol
- **Mikania glomerata** (guaco) — para problemas respiratórios e tosse
- **Matricaria chamomilla** (camomila) — para ansiedade e distúrbios gastrointestinais
- **Melissa officinalis** (melissa) — para insônia e ansiedade leve
- **Curcuma longa** (cúrcuma) — para inflamações e distúrbios digestivos
- **Solidago microglossa** (arnica brasileira) — para dores e contusões
- **Passiflora incarnata** (maracujá) — para ansiedade e insônia
- **Maytenus ilicifolia** (espinheira-santa) — para gastrite e úlceras

É importante destacar que nem todas as 71 plantas do RENISUS já possuem monografia completa na Farmacopeia Brasileira. A pesquisa científica brasileira continua trabalhando para preencher essas lacunas.

## O Programa Farmácias Vivas

O Programa Farmácias Vivas é uma das iniciativas mais inovadoras do SUS. Criado originalmente pelo professor Francisco José de Abreu Matos, no Ceará, na década de 1980, o programa foi incorporado ao SUS nacionalmente em 2010.

### Como Funciona

O Farmácias Vivas opera em três níveis:

1. **Nível 1 — Hortos de plantas medicinais**: Cultivo de plantas medicinais em hortos comunitários vinculados a unidades de saúde. As plantas são dispensadas in natura ou secas para preparo caseiro (chás, compressas).

2. **Nível 2 — Manipulação de preparações**: Além do cultivo, há manipulação de formas farmacêuticas simples, como tinturas, xaropes e pomadas, em laboratórios vinculados ao SUS.

3. **Nível 3 — Produção de fitoterápicos**: Produção de medicamentos fitoterápicos com controle de qualidade completo, seguindo normas da ANVISA, em laboratórios farmacêuticos públicos.

### Exemplos de Sucesso

Diversos municípios brasileiros mantêm programas de Farmácias Vivas bem-sucedidos:

- **Maracanaú (CE)**: Pioneiro no programa, com horto medicinal e laboratório de manipulação atendendo a rede municipal de saúde.
- **Betim (MG)**: Programa consolidado com distribuição gratuita de fitoterápicos manipulados.
- **Londrina (PR)**: Horto medicinal integrado às unidades básicas de saúde, com educação em saúde para a população.
- **Vitória (ES)**: Programa com capacitação de profissionais de saúde e distribuição de plantas medicinais secas.

## Como Acessar a Fitoterapia no SUS

Para ter acesso a tratamentos fitoterápicos pelo SUS, o caminho é relativamente simples:

### Passo a Passo

1. **Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS)** mais próxima da sua residência.
2. **Agende uma consulta** com o médico ou profissional de saúde da equipe de Saúde da Família.
3. **Relate seus sintomas** e pergunte sobre a possibilidade de tratamento com plantas medicinais ou fitoterápicos.
4. **O profissional avaliará** se a fitoterapia é indicada para o seu caso e poderá prescrever o fitoterápico.
5. **Retire o medicamento** na farmácia da própria unidade de saúde ou em farmácia indicada pela rede municipal.

### Fitoterápicos Disponíveis na RENAME

A **RENAME** (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) inclui fitoterápicos que devem estar disponíveis em todo o SUS. Entre eles:

- Xarope de guaco (Mikania glomerata) para tosse
- Cápsulas de espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) para gastrite
- Cápsulas de isoflavona de soja para sintomas da menopausa
- Comprimidos de garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens) para dores articulares

A disponibilidade pode variar de acordo com o município, pois a gestão do SUS é descentralizada.

## Contraindicações

Embora os fitoterápicos do SUS sejam prescritos por profissionais de saúde, é fundamental ter em mente:

- **Fitoterápicos são medicamentos** e, como tal, possuem contraindicações, efeitos adversos e interações medicamentosas.
- **Gestantes, lactantes, crianças e idosos** devem ter acompanhamento especial ao usar fitoterápicos.
- **Nunca pratique automedicação** com fitoterápicos, mesmo que estejam disponíveis no SUS. A prescrição por profissional habilitado é indispensável.
- **Informe sempre ao seu médico** sobre qualquer planta medicinal ou fitoterápico que esteja utilizando, para evitar interações com outros medicamentos.
- **Não interrompa tratamentos convencionais** para substituí-los por fitoterápicos sem orientação médica.

## O Futuro da Fitoterapia no SUS

O Brasil tem um potencial enorme para expandir o uso de fitoterápicos no sistema público. Com a maior biodiversidade do mundo e um conhecimento tradicional riquíssimo, o país está em posição privilegiada para liderar a integração entre medicina tradicional e medicina baseada em evidências.

Os desafios ainda são significativos: falta de capacitação de profissionais, desigualdade na oferta entre municípios, necessidade de mais pesquisas clínicas e fortalecimento das cadeias produtivas locais. No entanto, a base legal e institucional já está consolidada, e experiências bem-sucedidas em diversas regiões mostram que o caminho é viável.

## Referências

1. BRASIL. Ministério da Saúde. *Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS*. Portaria n.º 971, de 3 de maio de 2006.
2. BRASIL. Presidência da República. *Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos*. Decreto n.º 5.813, de 22 de junho de 2006.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. *RENISUS — Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS*. Brasília, 2009.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. *Programa Farmácias Vivas*. Portaria n.º 886, de 20 de abril de 2010.
5. MATOS, F.J.A. *Farmácias Vivas: Sistema de Utilização de Plantas Medicinais Projetado para Pequenas Comunidades*. 4. ed. Fortaleza: Edições UFC, 2002.
6. ANVISA. *Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira*. 2. ed. Brasília, 2021.
7. BRASIL. Ministério da Saúde. *Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME)*. Brasília, 2022.
