Fitoterapia no SUS: Como Acessar Plantas Medicinais pelo Sistema Público em 2026 | Guia Plantas Medicinais

Você sabia que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece medicamentos fitoterápicos gratuitamente em unidades básicas de saúde por todo o Brasil? Apesar de o programa existir desde 2006, muitos brasileiros ainda desconhecem esse direito. Neste guia atualizado para 2026, explicamos passo a passo como acessar plantas medicinais e fitoterápicos pelo sistema público, quais medicamentos estão disponíveis e como encontrar uma unidade de saúde com atendimento em fitoterapia perto de você.

Para uma visão geral sobre a história e os marcos legais da fitoterapia no sistema público, consulte nosso artigo sobre fitoterapia no SUS.

O Que São os Fitoterápicos do SUS

Fitoterápicos são medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais, que passam por rigorosos processos de controle de qualidade supervisionados pela ANVISA. Diferentemente do uso caseiro de plantas in natura (como chás e infusões), os fitoterápicos do SUS são formulações padronizadas com dosagens definidas, eficácia comprovada e segurança atestada.

O Brasil possui um arcabouço legal robusto que sustenta a fitoterapia no sistema público:

  • PNPIC (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares) — Portaria n.º 971/2006
  • PNPMF (Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos) — Decreto n.º 5.813/2006
  • RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS) — 71 espécies prioritárias
  • RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) — inclui fitoterápicos que devem estar disponíveis em todo o SUS

Os 12 Fitoterápicos da RENAME: O que Está Disponível Gratuitamente

A RENAME é a lista de medicamentos essenciais que todo município brasileiro deve disponibilizar no SUS. Ela inclui atualmente 12 fitoterápicos, cada um com indicações terapêuticas específicas:

1. Alcachofra (Cynara scolymus)

  • Forma: Cápsulas ou comprimidos de extrato seco
  • Indicação: Dispepsia funcional, síndrome do intestino irritável, hiperlipidemia leve (colesterol elevado)
  • Dosagem usual: 300-600 mg de extrato seco, 3 vezes ao dia

2. Aroeira (Schinus terebinthifolia)

  • Forma: Gel vaginal
  • Indicação: Cervicites e vaginites (inflamações do colo uterino e vagina)
  • Dosagem usual: Aplicação vaginal conforme prescrição médica

3. Babosa (Aloe vera)

  • Forma: Creme dermatológico
  • Indicação: Queimaduras de 1.º e 2.º grau, psoríase
  • Dosagem usual: Aplicação tópica 2-3 vezes ao dia

A babosa é uma das plantas mais versáteis, com longa tradição de uso na medicina popular brasileira.

4. Cáscara-Sagrada (Rhamnus purshiana)

  • Forma: Cápsulas
  • Indicação: Constipação intestinal eventual
  • Dosagem usual: 150-300 mg antes de dormir, por período curto (máximo 1 semana)

5. Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia)

  • Forma: Cápsulas de extrato seco
  • Indicação: Gastrite, dispepsia, azia, úlceras gástricas
  • Dosagem usual: 380-760 mg, 3 vezes ao dia, 30 minutos antes das refeições

A espinheira-santa é uma das plantas mais pesquisadas da flora brasileira. Consulte nosso artigo completo sobre a espinheira-santa para o estômago para informações detalhadas.

6. Garra-do-Diabo (Harpagophytum procumbens)

  • Forma: Comprimidos ou cápsulas
  • Indicação: Dores articulares, lombalgia, artrite leve a moderada
  • Dosagem usual: 600-1200 mg de extrato seco padronizado, 2 vezes ao dia

7. Guaco (Mikania glomerata)

  • Forma: Xarope
  • Indicação: Tosse, bronquite, expectorante
  • Dosagem usual: 5 ml de xarope, 3 vezes ao dia

O guaco é uma das plantas medicinais mais tradicionais do Brasil. Saiba mais no nosso artigo sobre guaco para tosse e gripe.

8. Hortelã (Mentha x piperita)

  • Forma: Cápsulas de óleo essencial com revestimento entérico
  • Indicação: Síndrome do intestino irritável, cólicas abdominais
  • Dosagem usual: 0,2 ml de óleo essencial, 2-3 vezes ao dia, entre as refeições

A hortelã é amplamente utilizada também na forma de chás caseiros.

9. Isoflavona de Soja (Glycine max)

  • Forma: Cápsulas
  • Indicação: Sintomas do climatério (ondas de calor, suores noturnos)
  • Dosagem usual: 40-80 mg de isoflavonas totais por dia

10. Plantago (Plantago ovata)

  • Forma: Pó para suspensão oral
  • Indicação: Constipação intestinal, síndrome do intestino irritável
  • Dosagem usual: 3,5 g diluídos em 250 ml de água, 1-3 vezes ao dia

11. Salgueiro (Salix alba)

  • Forma: Comprimidos ou cápsulas
  • Indicação: Dores lombares, dores articulares, anti-inflamatório
  • Dosagem usual: 120-240 mg de salicina por dia

12. Unha-de-Gato (Uncaria tomentosa)

  • Forma: Cápsulas ou comprimidos
  • Indicação: Anti-inflamatório, artrite reumatoide (adjuvante), imunomodulador
  • Dosagem usual: 100-350 mg de extrato seco, 2-3 vezes ao dia

A unha-de-gato é uma planta amazônica com amplo respaldo científico para a modulação do sistema imunológico.

Como Acessar Fitoterápicos no SUS: Passo a Passo Prático

Passo 1 — Encontre a UBS Mais Próxima

A primeira etapa é localizar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Existem várias formas de fazer isso:

  • Aplicativo ConecteSUS: Disponível para Android e iOS, mostra as unidades de saúde mais próximas com base na sua localização
  • Site do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES): Acesse cnes.datasus.gov.br e pesquise por município
  • Disque Saúde: Ligue para o 136 para informações sobre unidades de saúde na sua região
  • Secretaria Municipal de Saúde: Entre em contato diretamente para saber quais UBS oferecem fitoterapia

Passo 2 — Agende a Consulta

Dirija-se à UBS ou agende pelo aplicativo ConecteSUS. Na maioria dos municípios, o agendamento pode ser feito:

  • Presencialmente, na recepção da UBS
  • Por telefone
  • Pelo aplicativo ou site da Secretaria Municipal de Saúde

Dica importante: Ao agendar, pergunte se a UBS oferece atendimento em fitoterapia ou práticas integrativas. Nem todas as unidades têm esse serviço disponível, mas podem encaminhar para uma unidade que oferece.

Passo 3 — A Consulta Médica

Durante a consulta, relate seus sintomas e mencione seu interesse em tratamento com fitoterápicos. Os profissionais habilitados para prescrever fitoterápicos no SUS incluem:

  • Médicos
  • Dentistas (para indicações odontológicas)
  • Farmacêuticos (orientação sobre uso)
  • Enfermeiros (em alguns estados, conforme regulamentação local)

Importante: O profissional de saúde avaliará se a fitoterapia é indicada para o seu caso. Nem todas as condições podem ser tratadas com fitoterápicos, e em muitos casos eles são prescritos como complemento ao tratamento convencional, não como substituto.

Passo 4 — Retire o Medicamento

Com a prescrição em mãos, retire o fitoterápico na farmácia da própria UBS ou em uma farmácia do Componente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF) indicada pela unidade.

  • O fitoterápico é gratuito — não há custo para o paciente
  • A disponibilidade pode variar conforme o município e a gestão local
  • Se o fitoterápico prescrito não estiver disponível na unidade, solicite informações sobre outras unidades ou sobre a central de abastecimento farmacêutico

O Programa Farmácias Vivas em 2026

O Programa Farmácias Vivas, institucionalizado pela Portaria n.º 886/2010, é uma das iniciativas mais inovadoras do SUS para garantir acesso a plantas medicinais. Criado pelo professor Francisco José de Abreu Matos no Ceará, o programa se expandiu para diversos estados e, em 2026, conta com unidades em todas as regiões do Brasil.

O Que as Farmácias Vivas Oferecem

As Farmácias Vivas operam em três modalidades:

  1. Plantas medicinais in natura ou secas: Distribuídas diretamente para preparo caseiro de chás, decocções e infusões
  2. Preparações manipuladas: Tinturas, xaropes, pomadas e cataplasmas preparados em laboratórios vinculados ao SUS
  3. Fitoterápicos industrializados: Medicamentos com registro na ANVISA, produzidos em laboratórios farmacêuticos públicos

Como Encontrar uma Farmácia Viva

Para localizar uma Farmácia Viva perto de você:

  • Consulte a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde
  • Ligue para o Disque Saúde 136
  • Procure informações no site do Ministério da Saúde sobre práticas integrativas na sua região
  • Pergunte na UBS do seu bairro — mesmo que a unidade não tenha Farmácia Viva, pode encaminhar para a mais próxima

Estados com Programas Consolidados

Alguns estados se destacam pela estruturação do programa:

  • Ceará: Pioneiro, com rede de Farmácias Vivas em diversos municípios
  • Minas Gerais: Programas consolidados em Betim, Belo Horizonte e outros municípios
  • São Paulo: Rede de hortos medicinais ligados a UBS na capital e interior
  • Paraná: Londrina mantém horto medicinal integrado às unidades de saúde
  • Espírito Santo: Vitória tem programa com distribuição de plantas secas e capacitação profissional

Perguntas Frequentes sobre Fitoterápicos no SUS

Qualquer médico pode prescrever fitoterápicos no SUS?

Sim. Qualquer médico do SUS pode prescrever fitoterápicos que estejam na RENAME. Não é necessária especialização em fitoterapia para prescrever os 12 medicamentos da lista, embora a capacitação seja recomendada pelo Ministério da Saúde.

Posso pedir fitoterápico ao invés de remédio sintético?

Você pode expressar sua preferência, mas a decisão clínica é do profissional de saúde. Em muitos casos, o fitoterápico é prescrito como complemento ao tratamento convencional. Nunca interrompa um tratamento prescrito por conta própria para substituí-lo por fitoterápico.

Os fitoterápicos do SUS são seguros?

Os fitoterápicos da RENAME passaram por rigorosa avaliação da ANVISA quanto à eficácia, segurança e qualidade. No entanto, como todo medicamento, possuem contraindicações e possíveis efeitos adversos. É fundamental seguir a prescrição e informar ao médico sobre outros medicamentos que você utiliza. Para entender melhor os riscos, consulte nosso artigo sobre interações medicamentosas com plantas.

E se minha UBS não tiver fitoterápicos?

A disponibilidade varia entre municípios. Se a sua UBS não oferece fitoterápicos, você pode:

  • Solicitar encaminhamento para uma unidade que ofereça
  • Procurar a Secretaria Municipal de Saúde para informações sobre disponibilidade
  • Registrar a demanda na ouvidoria do SUS (Disque 136) — a manifestação dos cidadãos é importante para ampliar a oferta

O RENISUS e o Futuro da Fitoterapia Pública

A lista RENISUS, com suas 71 espécies vegetais, continua sendo a referência para pesquisa e desenvolvimento de novos fitoterápicos para o SUS. Entre as plantas da lista que você pode conhecer melhor em nosso site:

  • Boldo (Peumus boldus e Plectranthus barbatus) — digestivo e hepatoprotetor
  • Camomila (Matricaria chamomilla) — ansiolítico leve e anti-inflamatório
  • Erva-cidreira/Melissa — calmante e digestivo
  • Gengibre (Zingiber officinale) — anti-inflamatório e antiemético
  • Maracujá/Passiflora — ansiolítico e indutor do sono

A pesquisa científica brasileira avança na validação de novas espécies, e novas inclusões na RENAME são esperadas nos próximos anos. O Brasil, com a maior biodiversidade do planeta, tem potencial para se tornar referência mundial em fitoterapia baseada em evidências.

Seus Direitos como Paciente

A fitoterapia no SUS é um direito garantido pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Se você encontrar dificuldades para acessar fitoterápicos pelo sistema público:

  • Registre reclamação na Ouvidoria do SUS pelo Disque 136
  • Procure o Conselho Municipal de Saúde da sua cidade
  • Entre em contato com o Ministério Público se houver negativa sistemática de acesso

A participação ativa dos cidadãos é fundamental para a melhoria e a expansão dos serviços de fitoterapia no SUS.

Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Portaria n.º 971, de 3 de maio de 2006.
  2. BRASIL. Presidência da República. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Decreto n.º 5.813, de 22 de junho de 2006.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. RENISUS — Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS. Brasília, 2009.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Farmácias Vivas. Portaria n.º 886, de 20 de abril de 2010.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Brasília, 2024.
  6. ANVISA. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. 2. ed. Brasília, 2021.
  7. MATOS, F.J.A. Farmácias Vivas: Sistema de Utilização de Plantas Medicinais Projetado para Pequenas Comunidades. 4. ed. Fortaleza: Edições UFC, 2002.
  8. OMS. WHO Traditional Medicine Strategy 2014-2023. Genebra, 2013.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substituindo a consulta médica ou o acompanhamento por profissional de saúde qualificado. Fitoterápicos são medicamentos e, como tal, possuem contraindicações, efeitos adversos e interações medicamentosas. Nunca pratique automedicação e siga sempre a orientação do profissional de saúde que o acompanha.

⚠️ Aviso Importante Este conteúdo é apenas informativo e educacional, não constituindo aconselhamento médico ou farmacêutico. Não substitui a orientação de um profissional de saúde qualificado. Consulte um médico ou farmacêutico antes de usar qualquer planta medicinal, especialmente se estiver grávida, amamentando, tomando medicamentos ou possuir condições de saúde pré-existentes.
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