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title: "Plantas Medicinais para Ansiedade e Estresse | Guia Plantas Medicinais"
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description: "Descubra as melhores plantas medicinais para ansiedade e estresse: valeriana, passiflora, camomila, melissa e mulungu. Evidências científicas e formas de uso."
date: "2026-03-22"
author: "Equipe Guia Plantas Medicinais"
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# Plantas Medicinais para Ansiedade e Estresse | Guia Plantas Medicinais

Descubra as melhores plantas medicinais para ansiedade e estresse: valeriana, passiflora, camomila, melissa e mulungu. Evidências científicas e formas de uso.


A ansiedade e o estresse são dois dos maiores desafios de saúde mental do nosso tempo. O Brasil ocupa posições alarmantes nos rankings mundiais de transtornos de ansiedade, e a busca por alternativas naturais para complementar o tratamento tem crescido significativamente. Diversas plantas medicinais possuem evidências científicas de ação ansiolítica e calmante, e muitas delas estão disponíveis no SUS. Neste artigo, vamos analisar as cinco plantas mais estudadas para ansiedade e estresse, apresentando o que a ciência diz sobre cada uma.

## Ansiedade e Estresse: Quando as Plantas Podem Ajudar

Antes de falar sobre as plantas, é fundamental entender que ansiedade e estresse são condições que existem em um espectro. Uma ansiedade leve e pontual — antes de uma prova ou entrevista de emprego — é diferente de um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), que causa sofrimento significativo e prejuízo funcional.

As plantas medicinais podem ser úteis em casos de **ansiedade leve a moderada** e **estresse do dia a dia**, especialmente quando combinadas com hábitos saudáveis como atividade física, boa alimentação e higiene do sono. Para quadros mais graves, o acompanhamento com psicólogo e/ou psiquiatra é indispensável.

## As 5 Melhores Plantas para Ansiedade e Estresse

### Valeriana (Valeriana officinalis)

A valeriana é provavelmente a planta mais estudada no mundo para ansiedade e insônia. Seus compostos ativos — especialmente o ácido valerênico e os valepotriatos — atuam no sistema GABAérgico, o mesmo sistema sobre o qual agem medicamentos como os benzodiazepínicos.

**O que a ciência diz:**

Uma meta-análise publicada no *Journal of Evidence-Based Integrative Medicine* analisou 16 ensaios clínicos e concluiu que a valeriana apresenta efeito ansiolítico estatisticamente significativo, embora de magnitude modesta. Outro estudo, publicado na *Phytomedicine*, demonstrou que o extrato padronizado de valeriana foi comparável ao diazepam na redução de sintomas de ansiedade, porém com menos efeitos colaterais.

**Como usar:**

- **Chá (infusão):** 1 colher de chá de raiz seca em 250 ml de água fervente. Abafe por 15 minutos. Tomar 1 a 3 vezes ao dia, sendo a última dose 30 minutos antes de dormir.
- **Extrato seco padronizado:** 300 a 600 mg ao dia, conforme orientação profissional. A ANVISA registra fitoterápicos à base de valeriana com essa dosagem.

**Particularidades:** O efeito da valeriana é cumulativo. A maioria dos estudos mostra resultados significativos após 2 a 4 semanas de uso contínuo. Não espere efeito imediato como o de um ansiolítico sintético.

### Passiflora (Passiflora incarnata)

A passiflora, conhecida popularmente como maracujá (embora seja uma espécie diferente do maracujá comestível), é uma das plantas mais tradicionais da fitoterapia brasileira para ansiedade. Está incluída no RENISUS e na Farmacopeia Brasileira.

**O que a ciência diz:**

Um ensaio clínico duplo-cego publicado no *Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics* comparou a passiflora com o oxazepam (benzodiazepínico) em 36 pacientes com TAG. Os resultados mostraram eficácia semelhante entre os dois tratamentos, mas a passiflora apresentou menos comprometimento do desempenho no trabalho. Outra pesquisa, conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, confirmou a ação ansiolítica de extratos de passiflora em modelos pré-clínicos, associada à modulação de receptores GABA-A.

**Como usar:**

- **Chá (infusão):** 1 a 2 colheres de sopa de folhas e flores secas em 250 ml de água fervente. Abafe por 10 minutos. Tomar 2 a 3 vezes ao dia.
- **Tintura:** 30 a 60 gotas diluídas em água, 2 a 3 vezes ao dia.

### Camomila (Matricaria chamomilla)

A camomila é uma das plantas medicinais mais consumidas no mundo. Embora seja frequentemente associada a problemas digestivos, suas propriedades ansiolíticas estão bem documentadas na literatura científica.

**O que a ciência diz:**

Um ensaio clínico randomizado publicado no *Journal of Clinical Psychopharmacology* demonstrou que o extrato de camomila (220 mg ao dia) reduziu significativamente os escores de ansiedade em pacientes com TAG leve a moderada, em comparação ao placebo. Um estudo de longo prazo da Universidade da Pensilvânia, publicado na *Phytomedicine*, mostrou que a camomila manteve sua eficácia ao longo de 38 semanas de tratamento, com bom perfil de segurança.

**Como usar:**

- **Chá (infusão):** 1 a 2 colheres de sopa de flores secas em 250 ml de água fervente. Abafe por 10 minutos. Tomar 2 a 4 vezes ao dia.
- **Extrato padronizado:** Conforme orientação profissional, geralmente na faixa de 200 a 400 mg ao dia.

**Atenção:** A camomila pertence à família Asteraceae. Pessoas alérgicas a plantas dessa família (como crisântemo, áster e ambrósia) devem ter cautela.

### Melissa (Melissa officinalis)

A melissa, também chamada de erva-cidreira verdadeira (não confundir com a erva-cidreira brasileira, *Lippia alba*), é originária da Europa e amplamente cultivada no Brasil. Suas propriedades calmantes são atribuídas aos compostos do óleo essencial, como citral e citronelal, além de flavonoides e ácido rosmarínico.

**O que a ciência diz:**

Um estudo publicado na revista *Nutrients* mostrou que a suplementação com extrato de melissa (600 mg ao dia) reduziu significativamente os níveis de ansiedade e melhorou a qualidade do sono em voluntários saudáveis após 15 dias de uso. Pesquisas pré-clínicas realizadas em universidades brasileiras confirmaram a ação ansiolítica e sedativa leve de extratos de melissa, associada à inibição da enzima GABA-transaminase.

**Como usar:**

- **Chá (infusão):** 1 a 2 colheres de sopa de folhas secas em 250 ml de água fervente. Abafe por 10 minutos. Tomar 2 a 3 vezes ao dia.
- O chá de melissa pode ser combinado com camomila para um efeito sinérgico agradável.

### Mulungu (Erythrina mulungu)

O mulungu é uma planta genuinamente brasileira, utilizada tradicionalmente por populações indígenas e rurais como calmante e indutor do sono. Está incluído no RENISUS e vem ganhando destaque na pesquisa farmacológica nacional.

**O que a ciência diz:**

Pesquisas conduzidas na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) demonstraram que alcaloides eritrínicos presentes na casca do mulungu possuem ação ansiolítica e anticonvulsivante em modelos experimentais. Um estudo publicado na *Brazilian Journal of Medical and Biological Research* mostrou que o extrato de mulungu alterou padrões de sono em animais de forma semelhante ao diazepam, mas com mecanismo de ação diferente.

**Como usar:**

- **Chá (decocção):** 1 colher de sopa de cascas secas em 500 ml de água. Ferva em fogo brando por 15 minutos. Coe e tome 1 a 2 xícaras ao dia.
- **Tintura:** 20 a 40 gotas diluídas em água, 2 a 3 vezes ao dia.

**Nota importante:** O mulungu é uma planta potente. Seu uso deve ser supervisionado por profissional de saúde, especialmente em combinação com outros calmantes ou medicamentos psicotrópicos.

## Quando Procurar Ajuda Profissional

As plantas medicinais são aliadas valiosas, mas existem situações em que a ajuda profissional é indispensável. Procure um médico ou psicólogo se você apresentar:

- Ansiedade intensa que interfere nas atividades diárias (trabalho, estudo, relações sociais)
- Crises de pânico recorrentes
- Insônia crônica (mais de 3 semanas)
- Pensamentos intrusivos ou obsessivos
- Sintomas físicos persistentes como taquicardia, falta de ar ou dores no peito
- Uso de álcool ou outras substâncias para lidar com a ansiedade
- Pensamentos de autolesão ou suicídio — neste caso, ligue imediatamente para o **CVV (Centro de Valorização da Vida) no 188** ou acesse chat.cvv.org.br

## Contraindicações

As plantas ansiolíticas possuem contraindicações relevantes:

- **Gestantes e lactantes:** Valeriana, passiflora e mulungu são contraindicados durante a gestação e amamentação.
- **Crianças:** O uso em menores de 12 anos deve ser supervisionado por pediatra.
- **Interações medicamentosas:** Todas essas plantas podem potencializar o efeito de medicamentos ansiolíticos, antidepressivos e sedativos, aumentando o risco de sonolência excessiva e depressão do sistema nervoso central.
- **Condução de veículos:** Plantas com ação sedativa podem afetar a capacidade de dirigir ou operar máquinas, especialmente nas primeiras semanas de uso.
- **Cirurgias:** Suspenda o uso de plantas ansiolíticas pelo menos 2 semanas antes de procedimentos cirúrgicos, pois podem interferir na anestesia.

## Referências

1. AKHONDZADEH, S. et al. Passionflower in the treatment of generalized anxiety: a pilot double-blind randomized controlled trial with oxazepam. *Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics*, v. 26, n. 5, p. 363-367, 2001.
2. AMSTERDAM, J.D. et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of oral Matricaria recutita for generalized anxiety disorder. *Journal of Clinical Psychopharmacology*, v. 29, n. 4, p. 378-382, 2009.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. *RENISUS — Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS*. Brasília, 2009.
4. CASES, J. et al. Pilot trial of Melissa officinalis L. leaf extract in the treatment of volunteers suffering from mild-to-moderate anxiety disorders. *Nutrients*, v. 3, n. 4, p. 245-253, 2014.
5. Farmacopeia Brasileira, 6. ed. ANVISA, 2019.
6. FLAUSINO, O.A. et al. Effects of erythrinian alkaloids isolated from Erythrina mulungu on anxiety and memory. *Brazilian Journal of Medical and Biological Research*, v. 40, p. 1553-1561, 2007.
7. MURPHY, K. et al. Valeriana officinalis root extracts have potent anxiolytic effects in laboratory rats. *Phytomedicine*, v. 17, n. 8-9, p. 674-678, 2010.
