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title: "Valeriana: Guia Completo para Ansiedade, Insônia e Uso Seguro | Guia Plantas Medicinais"
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description: "Guia completo sobre valeriana para ansiedade e insônia: evidências científicas, como usar, dosagem, status na ANVISA e contraindicações."
date: "2026-04-25"
author: "Equipe Guia Plantas Medicinais"
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# Valeriana: Guia Completo para Ansiedade, Insônia e Uso Seguro | Guia Plantas Medicinais

Guia completo sobre valeriana para ansiedade e insônia: evidências científicas, como usar, dosagem, status na ANVISA e contraindicações.


A valeriana (*Valeriana officinalis*) é uma das plantas medicinais mais estudadas do mundo para o tratamento de insônia e ansiedade. Com mais de 200 ensaios clínicos publicados, ela se destaca por ter um dos acervos científicos mais robustos entre os fitoterápicos — e é um dos poucos calmantes naturais reconhecidos oficialmente pela ANVISA e disponíveis no SUS. Para uma visão geral da planta, consulte nosso [glossário sobre valeriana](/glossario/valeriana/).

Neste guia, vamos explorar o que a ciência realmente comprova sobre a valeriana, como utilizá-la de forma segura e eficaz, e quais são as diferenças entre as diversas formas de uso disponíveis no Brasil.

## História e Uso Tradicional

O uso da valeriana como calmante remonta à Grécia antiga. Hipócrates descreveu suas propriedades terapêuticas no século IV a.C., e Galeno a prescrevia para insônia no século II d.C. O nome "valeriana" deriva do latim *valere* (estar forte, estar bem), refletindo a percepção histórica de seus benefícios à saúde.

Na Europa medieval, a valeriana era chamada de "heal-all" (cura-tudo) e utilizada para uma ampla gama de condições — de dores de cabeça a palpitações. Durante as duas Guerras Mundiais, foi amplamente usada na Inglaterra para tratar distúrbios nervosos causados pelos bombardeios. Essa longa história de uso seguro contribuiu para que a planta fosse uma das primeiras a ser avaliada sistematicamente pela ciência moderna.

## Como a Valeriana Funciona: Mecanismos de Ação

Os efeitos da valeriana são atribuídos a uma combinação sinérgica de compostos, e não a um único princípio ativo isolado. Os principais são:

### Ácido Valerênico

O ácido valerênico é considerado o principal composto ativo para os efeitos sedativos. Ele atua modulando os receptores GABA-A no sistema nervoso central, de modo semelhante (embora muito mais suave) aos benzodiazepínicos. Pesquisas publicadas em *Neuropharmacology* (2009) demonstraram que o ácido valerênico aumenta a resposta dos receptores GABA ao neurotransmissor GABA, potencializando seu efeito inibitório — o que resulta em relaxamento e facilitação do sono.

### Valepotriatos

Os valepotriatos são iridoides com ação espasmolítica e sedativa leve. Embora sejam instáveis e se degradem durante o processamento, seus produtos de degradação (baldrinais) também apresentam atividade farmacológica.

### Outros Compostos

A valeriana contém ainda flavonoides (hesperidina, linarina) com ação ansiolítica, e lignanas que contribuem para o efeito sedativo geral. É essa combinação complexa que torna difícil isolar um único "princípio ativo" e explica por que extratos padronizados do conjunto da planta são mais eficazes do que compostos isolados.

## Evidências Científicas

### Para Insônia

A insônia é a indicação mais estudada da valeriana. Uma meta-análise publicada no *American Journal of Medicine* (2006), analisando 16 ensaios clínicos com 1.093 participantes, concluiu que a valeriana melhora a qualidade subjetiva do sono sem causar efeitos colaterais significativos. Os pacientes relataram adormecer mais rápido e ter sono mais reparador.

Outro dado relevante vem de um estudo comparativo publicado no *European Journal of Medical Research* (2002): 202 pacientes com insônia não orgânica receberam 600 mg de extrato de valeriana ou 10 mg de oxazepam (um benzodiazepínico) durante 6 semanas. A eficácia foi equivalente entre os dois tratamentos, mas a valeriana apresentou menos efeitos colaterais e nenhum risco de dependência.

Para quem busca uma abordagem completa para problemas de sono, nosso artigo sobre [plantas medicinais para dormir](/blog/plantas-medicinais-para-dormir/) apresenta outras opções que podem ser combinadas com a valeriana, como a [passiflora](/glossario/passiflora/) e a [camomila](/blog/camomila-propriedades-medicinais/).

### Para Ansiedade

As evidências para ansiedade são promissoras, embora menos extensas do que para insônia. Um estudo publicado em *Phytomedicine* (2006) investigou a valeriana em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e encontrou redução significativa nos escores de ansiedade após 4 semanas de uso.

O mecanismo ansiolítico é atribuído à modulação GABAérgica — o mesmo sistema que é alvo dos benzodiazepínicos farmacêuticos, porém com ação mais gradual e sem os riscos de dependência e abstinência associados a esses medicamentos.

Para uma abordagem mais ampla do manejo natural da ansiedade e do estresse, consulte nosso guia sobre [plantas medicinais para ansiedade e estresse](/blog/plantas-medicinais-ansiedade-estresse/) e o artigo sobre [plantas adaptógenas](/blog/plantas-adaptogenas-ashwagandha-rhodiola/), que explora substâncias complementares como ashwagandha e rhodiola.

### Valeriana vs. Benzodiazepínicos: Comparação

| Aspecto | Valeriana | Benzodiazepínicos |
|---|---|---|
| Início de ação | Gradual (2-4 semanas) | Imediato |
| Risco de dependência | Não demonstrado | Alto |
| Síndrome de abstinência | Não relatada | Comum e potencialmente grave |
| Efeito residual diurno | Mínimo | Sonolência, comprometimento cognitivo |
| Tolerância | Não demonstrada | Comum |
| Eficácia | Moderada | Alta |

**Importante:** essa comparação não significa que a valeriana substitua medicamentos prescritos. A fitoterapia complementa, mas [não substitui a medicina convencional](/faq/fitoterapia-substitui-medicina/) quando há indicação médica específica.

## Como Usar Valeriana

### Formas de Uso

**Chá (Infusão):**
A forma mais tradicional de uso. Utilize 1 a 3 gramas de raiz seca por xícara de água fervente. Abafe por 10 a 15 minutos e coe. O sabor é forte e desagradável para muitas pessoas — a adição de [erva-cidreira](/blog/erva-cidreira-melissa-usos/) ou [camomila](/glossario/camomila/) pode tornar a bebida mais palatável. Para a técnica correta de preparo, consulte nosso guia sobre [como fazer chá medicinal corretamente](/blog/como-fazer-cha-medicinal-corretamente/).

**Tintura:**
A [tintura](/glossario/tintura/) de valeriana é uma forma concentrada obtida por maceração em álcool. A dosagem usual é de 2 a 5 mL (40 a 100 gotas), 30 minutos antes de dormir. Tem absorção mais rápida que o chá, mas contém álcool.

**Extrato Padronizado (Cápsulas):**
A forma mais estudada e recomendada. Cápsulas de extrato seco padronizado (com 0,8% de ácido valerênico) na dose de 300 a 600 mg, 30 a 60 minutos antes de deitar. É a forma com melhor padronização e menor variabilidade entre lotes.

### Dosagem e Tempo de Uso

A valeriana não funciona como um sonífero de ação imediata. Diferente de um comprimido para dormir, seus efeitos são cumulativos:

- **Primeira semana:** efeitos sutis, pode não haver diferença perceptível
- **2 a 4 semanas:** período em que a maioria dos estudos observa melhora significativa na qualidade do sono
- **Uso contínuo:** seguro por até 4 a 6 semanas segundo a maioria dos estudos clínicos

A OMS e a Comissão E alemã recomendam doses de 2 a 3 g de raiz seca ou 300 a 600 mg de extrato seco por dia. Para ansiedade diurna, a dose pode ser fracionada em 2 a 3 tomadas ao longo do dia.

## Status Regulatório no Brasil

### ANVISA e RENAME

A valeriana tem status privilegiado na regulamentação brasileira de fitoterápicos:

- Consta na **RENAME** (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) como medicamento fitoterápico
- É um dos fitoterápicos disponíveis **gratuitamente pelo SUS** em diversos municípios — consulte nosso artigo sobre [fitoterapia no SUS](/blog/fitoterapia-sus-brasil/) para saber como acessar
- Está incluída na lista de [fitoterápicos](/glossario/fitoterapico/) de registro simplificado da ANVISA (IN nº 2/2014), o que facilita sua disponibilidade no mercado
- Faz parte da lista RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS)
- Está contemplada na Farmacopeia Brasileira, com monografia detalhando padrões de qualidade

Esse reconhecimento institucional reflete o alto nível de evidência acumulada sobre a segurança e eficácia da planta. Para contextualizar, vale consultar o panorama completo da [fitoterapia no SUS em 2026](/blog/fitoterapia-sus-plantas-medicinais-2026/).

### Valeriana Officinalis vs. Espécies Brasileiras

É importante distinguir a *Valeriana officinalis* (europeia, amplamente estudada) de espécies nativas brasileiras do gênero *Valeriana*, como *Valeriana glechomifolia* e *Valeriana scandens*. Embora popularmente usadas com finalidades semelhantes no sul do Brasil, as espécies nativas possuem composição fitoquímica diferente e significativamente menos estudos clínicos. As evidências e dosagens apresentadas neste guia referem-se exclusivamente à *Valeriana officinalis*.

## Contraindicações e Interações

### Quem NÃO Deve Usar Valeriana

- **Gestantes e lactantes** — por precaução, dado a insuficiência de estudos de segurança nessas populações. Veja nosso [FAQ sobre gestantes e plantas medicinais](/faq/gravidas-plantas-medicinais/)
- **Crianças menores de 12 anos** — faltam dados de segurança pediátrica. Consulte nosso [FAQ sobre crianças e plantas medicinais](/faq/criancas-plantas-medicinais/)
- **Pessoas que precisam operar máquinas pesadas ou dirigir** — embora o efeito residual seja mínimo, há possibilidade de sonolência, especialmente no início do uso
- **Pessoas com doença hepática** — há raros relatos de hepatotoxicidade, possivelmente associados a produtos contaminados ou de baixa qualidade

### Interações Medicamentosas

A valeriana pode interagir com:

- **Benzodiazepínicos e sedativos** — potencialização do efeito depressor do sistema nervoso central
- **Álcool** — efeito aditivo de sedação; evitar consumo concomitante
- **Anestésicos** — suspender o uso pelo menos 2 semanas antes de cirurgias
- **Anticonvulsivantes** — possível alteração na eficácia
- **Outros fitoterápicos sedativos** — a combinação com [passiflora](/glossario/passiflora/), [melissa](/glossario/melissa/) ou [erva-cidreira](/glossario/erva-cidreira/) pode somar efeitos (o que pode ser desejável ou excessivo, dependendo da dose)

Para uma análise mais detalhada sobre riscos de combinações, consulte nosso artigo sobre [interações medicamentosas com plantas medicinais](/blog/interacoes-medicamentosas-plantas/).

## Combinações Populares com Valeriana

Na prática fitoterápica brasileira, a valeriana é frequentemente combinada com outras plantas calmantes:

- **Valeriana + Passiflora** — combinação clássica e bem estudada para insônia; ambas atuam no sistema GABAérgico por mecanismos complementares
- **Valeriana + Camomila** — a [camomila](/glossario/camomila/) contribui com ação ansiolítica via apigenina, complementando o efeito sedativo da valeriana
- **Valeriana + Melissa** — a [melissa](/glossario/melissa/) adiciona ação antiespasmódica, útil quando a insônia é acompanhada de desconforto digestivo. Veja mais sobre a [erva-cidreira](/blog/erva-cidreira-melissa-usos/)

Para quem busca alternativas complementares focadas em adaptação ao estresse, a [babosa](/blog/babosa-aloe-vera-beneficios-como-usar/) oferece benefícios tópicos interessantes, e as [plantas adaptógenas](/blog/plantas-adaptogenas-ashwagandha-rhodiola/) como ashwagandha podem complementar o manejo do estresse crônico por mecanismos diferentes.

## Perguntas Frequentes

### Quanto tempo leva para a valeriana fazer efeito?

A valeriana não é um sonífero de ação imediata. Embora algumas pessoas relatem melhora leve desde as primeiras doses, os estudos clínicos demonstram benefícios significativos após 2 a 4 semanas de uso contínuo. Paciência e consistência são necessárias para avaliar seus efeitos corretamente.

### Valeriana causa dependência?

Não há evidências de que a valeriana cause dependência física ou psicológica. Diferente dos benzodiazepínicos, a descontinuação não provoca síndrome de abstinência. Essa é uma de suas maiores vantagens sobre medicamentos sedativos convencionais.

### Posso tomar valeriana durante o dia para ansiedade?

Sim. Para ansiedade diurna, a dose pode ser fracionada em 2 a 3 tomadas ao longo do dia (100 a 200 mg de extrato seco por tomada). No entanto, fique atento a possível sonolência, especialmente no início do uso, e evite dirigir ou operar máquinas até conhecer sua resposta individual à planta.

### A valeriana é realmente tão eficaz quanto remédios para dormir?

Estudos comparativos mostram eficácia semelhante ao oxazepam para insônia leve a moderada, com menos efeitos colaterais. No entanto, para insônia severa ou crônica, a valeriana pode não ser suficiente como tratamento único. O mais seguro é [consultar um profissional de saúde](/faq/fitoterapia-substitui-medicina/) para avaliar a melhor abordagem.

## Referências Científicas

- Bent, S. et al. "Valerian for Sleep: A Systematic Review and Meta-Analysis." *American Journal of Medicine*, v. 119, n. 12, p. 1005-1012, 2006.
- Ziegler, G. et al. "Efficacy and tolerability of valerian extract LI 156 compared with oxazepam in the treatment of non-organic insomnia." *European Journal of Medical Research*, v. 7, n. 11, p. 480-486, 2002.
- Khom, S. et al. "Valerenic acid potentiates and inhibits GABA-A receptors." *Neuropharmacology*, v. 53, n. 1, p. 178-187, 2007.
- Andreatini, R. et al. "Effect of valepotriates on the behavior of rats in the elevated plus-maze during diazepam withdrawal." *European Journal of Pharmacology*, v. 260, n. 2-3, p. 233-235, 1994.
- ANVISA. "Instrução Normativa nº 2/2014 — Lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado." Brasília, 2014.
- RENAME 2022. "Relação Nacional de Medicamentos Essenciais." Ministério da Saúde, Brasília.
- Farmacopeia Brasileira, 6ª edição. ANVISA, Brasília.
- OMS. "WHO Monographs on Selected Medicinal Plants — Valeriana officinalis." Genebra: World Health Organization, 1999.

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**⚕️ Aviso importante:** Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico profissional. A valeriana pode interagir com medicamentos sedativos, álcool e anestésicos. Consulte um médico ou farmacêutico antes de iniciar o uso, especialmente se você possui condições de saúde pré-existentes, está grávida, em período de amamentação ou faz uso de medicamentos controlados.
